
(...) Quando estou moído,
é que sou mais procurado.
Pelos moços e pelos velhos.
por meninos e mulher.
Não há quem não goste de mim.
Todas as pessoas me quer.
Quer os pobres quer os ricos
Já não passam sem caffe.
(J. Rodrigues, jornal Amazonas, 1892)
Quanto mais avança a tormenta da gastrite e de outros ites que insistem em me acompanhar, mais eu sonho e desejo a xícara de café. Quente e em pequenas porções, de preferência sem a intervenção danosa de algum pó adocicado, a nivelar por baixo o sabor, o cafezinho teve e tem um lugar especial no cotidiano de minha existência.
Não faço ideia de quando a moda começou, mas suspeito que foi no início da docência, na escola secundária, com suas mil turmas, aulas e alunos sempre tangidos por um bedel ou uma zora insuportável. É certo que tive entre elas, uma boa amiga, mas era um ponto fora da curva. Entre uma aula e outra – e eram muitas! -, uma entrada na sala dos professores, alternando ora um copo d’água, ora um coado esquecido numa garrafa térmica que parecia incapaz de cumprir sua função, o cafezinho era o alento de um descanso fracionado em não mais que poucos minutos. Mal dávamos um gole e a ruidosa campa, tortura infernal e impertinente, estrondava os ouvidos agora não só tangendo alunos de volta a sala de aula, como também a nós professores .
Naquele momento o cafezinho pouco tinha a ver com a sensação de prazer; era não apenas necessário para nos manter de pé em meio às loucas jornadas, como também era a única alternativa para quem não tinha nenhuma prata no bolso, como era o meu caso. Lembro as centenas de vezes que me pequei parado com o copinho plástico à mão, contemplando os alunos que se empanturravam de gulodices na cantina de uma escola particular, o não tão saudoso IBIN (Instituto Batista Ida Nelson).
O lazer veio depois, acompanhando os estudos e as leituras. Foram os anos de afastamento (do trabalho e de Manaus) para cursar a Pós-Graduação em São Paulo que me fidelizaram ao cafezinho, agora sorvido em espaços com um pouco mais de aconchego estético e sensorial. A cafeteria tornara-se pra mim a catedral da minha mais franca devoção. Obviamente, nem todas eram iguais e estimadas da mesma forma. Buscava sempre as mais silenciosas e com aqueles cantinhos intimistas onde se podia ficar sossegado, sem ser interrompido à toda hora pelo transito dos frequentadores, dos garçons e garçonetes. Também era importante manter alguma distância do balcão, sempre barulhento e dispersivo: – Sai uma média! – Um pão na chapa na mesa 3! Fecha a conta da 13!
Se a ideia era paz e sossego para a leitura, as cafeterias preferidas eram àquelas tão silenciosas, que até remetiam à meditação, como em um templo budista. Mas voltarei aos livros e à leitura posteriormente. Por hora preciso dizer que me vi enfeitiçado pelo café (produto) e pelos Cafés (cafeterias) numa dimensão que transcendia em muito o nobre uso que então lhe atribuía, como espaço de leitura e aprimoramento intelectual. Sem grande esforço, os Cafés viravam, quase que imediatamente, em pontos de prazerosa sociabilidade, onde se podia encontrar amigos, colegas e professores. Para todos eles sempre despendíamos um dedo de prosa, enquanto a garçonete descia à mesa uma nova rodada de expressos.
Ao rabiscar linhas tão óbvias, não posso deixar de me sentir como um farsante, como quem acaba por arrombar uma porta escancarada. Sim, são coisas óbvias, e leitor há de perdoar o deslise.
Sem pretensão de vestir-me de historiador ou em expert de um assunto qualquer, quero apenas verter umas poucas gotas de informação. Não duvido que, um dia, uma História dos Cafés dará uma bela tese acadêmica entre nós, mas aqui tomo o passado apenas de lampejo, e tão somente para mostrar que esse fascínio pelos Cafés vem de longe e tem ainda muitas histórias por contar.
Os Cafés (ou as cafeterias) firmaram-se na modernidade ocidental, cumprindo uma importante função social, como espaço de sociabilidades, trocas de informação e aquisição de conhecimento. e isso num mundo em mutação onde as cidades iam adquirindo maior importância e vida vertiginosa. Com seus quatrocentos anos de existência (ou mais), a se tomar como marco a fama dos cafés de Buda e Peste, no século XVI as cafeterias se transformaram num local de sociabilidades urbanas por excelência, caindo no gosto de parte importante da população do mundo ocidental. Nelas,
Era possível se sentar e ficar por horas com uma xícara de café, com um copo de água gelada, que um garçom estava sempre enchendo, e aproveitar a variedade de jornais e revistas locais e estrangeiros pendurados em suportes de bambu”. (John Lukacs).
Com os olhos voltados para sua Budapeste, Lukacs também nos lembra de uma característica definidora do sucesso mundial das cafeteria, qual seja, a sua associação íntima e visceral com a imprensa e com o mundo das letras, em especial após a segunda metade do século XIX, quando então se operou uma massiva ampliação de leitores.
Jornalistas e escritores invadiram-nas na busca de sossego e inspiração criativa, assim como também mostrar-se ao mundo, performando com posturas, fraseados, jeitos e trejeitos, uma imagem pública de si mesmos. Podia-se também saber dos últimos acontecimentos e repercutir a notícia do dia, assim como, com um pouco de sorte, também era possível assuntar os mexericos de alcovas, que tanto sucesso faziam entre os habitués.
À época, floresciam os Cafés literários, filhos dileto do aburguesamento da sociedade ocidental fin de siècle.
Nesse ambiente específico e já bastante glamourizado, emergiria na Paris pós Segunda Guerra sua melhor tradução: o casal; ou melhor, os parceiros Beauvoir e Sartre, fazendo do Café de Flore uma espécie de escritório de todas as manhãs e fins de tarde. Coisa semelhante já havia sido feita por muitos intelectuais, locais e estrangeiros, durante o entreguerras, fazendo também a fama de outros tantos Cafés da Cidade Luz: Le Procope, Café de la Paix e Les deux Magots.

Não demorou muito para que a atmosfera dos Cafés chegasse com a mesma força à capital brasileira e se espraiasse, da rua do Ouvidor, até os confins recém urbanizados da nascente República. Uma vez que rabisco estas linhas à sombra do feriado de 15 de Novembro, caberia lembrar, en passant, que nos estertores do Império diversas confrarias republicanas fizeram aguerrida morada nos Cafés, da mesma forma como também invadiram a escola militar da Praia Vermelha. Como demonstrou Brito Broca, sem a vida boêmia e a ambiência dos cafés, a própria vida literária brasileira estaria incompleta. Não sem razão, dedicou à eles capítulo inteiro de sua obra principal, onde registra a centralidade deles na espacialidade da carioca:

Os principais cafés literários do Rio são, entre outros, os da última década do século 19, do período áureo da boemia; o Café do Rio, no cruzamento da Rua do Ouvidor com a Rua Gonçalves Dias: o Java, no Largo de São Francisco, esquina de Ouvidor; o Café Paris, o Café Papagaio; o Café Globo, na Rua Primeiro de Março, entre Ouvidor e o Beco dos Barbeiros…
Pontos igualmente preferidos pelas celebridades literárias: Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias, e a Confeitaria Pascoal, na Rua do Ouvidor, além de outros menos frequentados, como o Cailteau e a Castelões. (Brito Broca).
À essa época, nossa pacata Manaus vestia ares de riqueza e sofisticação, em que pese seus eternos bolsões de pobreza e miséria. De toda forma, antes mesmo da chegada da República, a abertura do Café Chic denunciava a forma pretensamente sofisticada com que aquele tipo de empreendimento deitaria suas raízes na cidade. Não foi certamente o primeiro, e nem mesmo o mais afamado, título que pode ser mais facilmente atribuído ao Café dos Terríveis, localizado na Praça 15 de Novembro. Tendo vindo à luz numa tarde de outubro do ano de 1904, a fama dos Terríveis produziu uma série de registros fotográficos que hoje circulam por sites e blogs devotados à história da cidade. Assim como a imensa maioria desses estabelecimentos, o dos Terríveis abraçava indistintamente a vida boêmia e literária, e, pelo registro da imprensa, buscou ser plural, onde “Terríveis e não-terríveis, sportman, jornalistas, comerciantes, alto funcionalismo, forças armadas e não armadas, todos se acham ali reunidos em franca e alegre comunicabilidade, consagrando o novo Café”. (Jornal do Commercio, 1904). Por outro lado, tanto a adjetivação (“alto”) agregada ao funcionalismo (desejado), quanto a foto propaganda que fez publicar, denunciam alguma sofisticação.

De tanto ler os jornais de sua rica imprensa e estudar diversos perfis sociais da sociedade manauara da transição do século XIX para o XX, não posso deixar de dar azo a devaneios de transposição imaginaria ao passado, tão ao gosto dos ficcionistas. Wood Allen o fez de forma magistral em Meia-noite em Paris, possibilitando o encontro do escritor inseguro e aprendiz, com toda plêiade de intelectuais que gravitaram pelo Quartier Latin, por Montparnasse e outros tantos recantos literários e boêmios da capital da república mundial das letras, nos anos 1920, na bellè époque e mesmo antes.
Não há como deixar de imaginar um experimento semelhante na nossa Paris das selvas, apreciando em seus Cafés a profusão de cenas do cotidiano nos quais poderiam estar envolvidos alguns dos melhores nomes da intelligentsia baré e de seus agregados, vindos do Pará, do Maranhão ou do Rio de Janeiro. Sim, é isso mesmo! Por nossas paragens também transitaram expoentes da cultura brasileira e outrora, desde Euclides da Cunha até Mário de Andrade, passando por João Leda, Raul Azevedo, Nunes Pereira e Rocha Pombo (para citar um historiador), e isso para não falar das dezenas de viajantes e naturalistas estrangeiros, sempre citados.
Adentrando por uma portas delgadas que dão acesso ao vasto salão com pé direito alto, que arrefecia o calor, nosso viajante do tempo poderia ver, num cantinho ao fundo, um circunspecto Péricles de Moraes, a rabiscar papeis e mais papeis sobre a mesa solitária. Se estaria produzindo crítica literária para Redempção ou apenas retornando missiva a um amigo correspondente, é difícil saber. O certo é que, ali, naquele momento de introspecção, preferiu a companhia estimulante de café, largado à mesa numa xícara grande e um bule pequeno, ambos de porcelana. Temo que mesmo ali não estaria livre da importunação dos poemas maliciosos e das arengas frequentes de um T. H. Vaz que, de pé em meio às mesas, lançava ao ar , ora impropérios, ora versos improvisados, à plenos pulmões, tal como um pregador metodista. Talvez até tivesse tomado o cafezinho mais cedo, mas, àquela hora da manhã (o ponteiro alcançava a décima casa), suspeito que se fazia acompanhar de algo um pouco mais espirituoso. É ainda Brito Broca que nos lembra um Bilac nas primeiras horas da manhã pedindo baixinho ao garçom que esquecesse o café quando lhe servisse a xícara do café com conhaque, que, logo antes, solicitara em voz alta. Afinal, em meio a diletas senhoras, acompanhadas de seus respectivos maridos, não fica bem ao poeta confirmar o vício, comentado à boca pequena.
Voltando à Velha Manáos, é preciso reconhecer que a fama do Patureba corria solta: “O Sr. Thaumaturgo ,,,tem… o hábito de fazer provocações a seus desafetos, ou mesmo a pessoas estranhas desde que a machina da cabeça, que é movida à álcool, comece a funcionar”, denunciavam seus adversários do Correio do Norte. Bem se vê que esse Th. não parece tão centrado como o descrito pelo circunspecto Mário Ypiranga, que cuidou sempre de ressalvar seus defeitos: “Era um boêmio do tipo que se comporta sempre com a polidez de quem teve educação esmerada. Fazia suas farras na Cervejaria Boêmia, no Itatiaia, mas com dignidade” (…) Mas é o próprio Mário Ypiranga quem nos lembra que o poeta boêmio, sendo, certo dia, mal-recebido no Banco Ultramarino, rabiscou uma de suas “pulhices rimadas”:
"O nome do banco é BU.
O do gerente é Lacerda.
O banco rima com cu.
E o gerente com merda".
(M. Y. M., p. 172-173)
Na nossa viagem imaginada aos antigos cafés de Manaus, palmas e gargalhadas demarcavam o momento para o “Th. das cantigas” dar às costas aos companheiros de galhofa e partir para mais uma perambulação em busca de nova audiência, ou de quem lhe deitasse um trago. Ao contrário do escritor “sério” (seja lá o que isso signifique), os poetas gostavam de circular das mesas internas para as das calçadas, já que todo estabelecimento que se prese escorria para o murmurinho das ruas, sempre capazes de inspirar rocambolescos roteiros teatrais.
Passemos para a mesa ao lado, também ruidosa, onde havia se instalado a confraria de jornalistas e editorialistas dos maiores jornais da cidade. Nessas rodas, o tema inevitável era ainda uma e outra vez a política, embora filtrada por algumas maledicências e licenciosidades ferinas Os mais seguros de si (penso num ranzinza empertigado como Bento Aranha) desancavam alguma autoridade que não lhes caíra nas graças, enquanto em tom professoral voltava os olhos pelo passado para lembrar ainda e outra vez uma ancestralidade no cenário manauara. “- quando aqui cheguei, tudo ali era mato!”, disse Ajuricaba. Alcides Bahia ria-se algo comedido, como quem disfarça um malfeito, tão ciente era do qual letais podiam ser as flechadas vingadoras de seu velho companheiro de redação. Faria e Souza, menos chegado, talvez se arriscasse mais, refutando alguma ideia do velho turuna: “- Então o senhor reafirma que a gazeta [Cinco de Setembro] nem mesmo existiu:!“, inquiria um contrariado historiador da imprensa, pondo mais lenha à fogueira diante de um Aranha, que, colérico, agora subia pelas paredes. Certamente haveria entre eles alguém da turma do “deixa disso” para evitar o ponto de ebulição, e a paz era selada com a retirada silenciosa dos contendores para o encosto das cadeiras de palha.
- Acalma-te! Senta e pede um café. Aqui estamos entre amigos!
Era apenas questão de instante. e já alguém disparava outro assunto:
- Mudando de assunto, leram o Commercio? Afinal de contas mataram-no mesmo?
- Qual nada, o Pensador já não pensava"!
- É certo! Em palácio dava a ver fantasmas...
- Pouco importa: fez muito!
- Sim... embora perdulário.
- Mas nem por isso merecia a Via Scelerata.
- Rhossard era um irresponsável . Além do mais, a depender dele o 13 de maio nem faria parte da folinha.
- O Rocha o acobertou... e pagou caro por isso.
- Tudo isso são águas passadas. Não sejamos nós a atormentá-lo depois de morto.
- Sim, como disse: fez muito. brindemos!
Vejo que já passei da hora de encerar essa onírica viagem. Deixemos a Velha Manaus e voltemos aos Cafés. Sim, os Cafés. É deles que estamos falando afinal.
Sem ficar parado no tempo, tanto o produto café quanto seus diversificados espaços de consumo generalizaram-se mundo afora e chegam à nossa contemporaneidade não apenas consagrados, mas também em expansão, sofrendo antes a agregação de ganhos tecnológicos, do que sendo por eles vitimados. Em contraste, veja-se a situação das livrarias que, embora espaços fundamentais de cultura, veem-se hoje diante da constante ameaça de extinção, ao menos em sua dimensão física.
Os japoneses leem enquanto caminham, e até cunharam um termo próprio para a prática (termo que, aliás, me escapa à lembrança no momento). Não chegamos a tanto. Afora a escola, o habito de leitura em ambientes públicos, como praças e parques, ainda está presente, mas é nos cafés que os livros se fazem acompanhar de leitores com alguma intensidade. Não tenho dados para aferir o enunciado, e talvez tal percepção não passe de algum desejo autolegitimador. Talvez esteja sendo também otimista demais, mas o certo é que quando vou a uma cafeteria quase sempre deparo com outros leitores, o que não deixa de ser uma visão bastante agradável.
Os que convivem comigo sabem dessa minha mania prazerosa e perigosa (explico depois a ressalva). Os não tão próximos veem-me pelas redes sociais a transitar por centros de compras, mas a verdade é que os mais atentos perceberão em minhas mãos a indefectível xícara do velho e bom cafezinho.; e isso porque, bem mais do que shoppings, gosto mesmo é das cafeterias que eles abrigam, desde as mais simples, espraiadas pelos corredores, até as mais bem estruturadas e com maior conforto. Numa ou na outra, gosto de adentrá-las na boa companhia de um livro, independente se de fácil leitura, como um romance ou mais árido como um tratado filosófico. acostumei-me a, naquela ambiência, abstrair-me do mundo, e assim, mal começada a leitura, já estou mudo aos sons ao redor e cego ao movimento dos que trafegam pelo recinto. O tempo é outro que me escapa, vem e vai mais depressa quanto mais a leitura me atrai.
Se, de tempo em tempo, me permito uma transgressão ao isolamento é tão somente para pedir um expresso, a ser sorvido com certa lentidão e, sob o risco de perde-lo a frialdade. Quando jovem adulto muitas ou poucas páginas me eram indiferentes em relação aos infinitos pedidos que fazia aos atendentes ao longo de um par de horas. Uma mudança de capítulo, a chegada a uma passagem definidora e estimulante, já me serviam de pretexto para mais uma xícara e, talvez, apenas talvez, uma ida ao banheiro. E tudo então caminhava como havia de ser.
Por vezes, no entanto, um ou outro incidente. Um descuido… e lá se vai um bom livro, agora marcado para sempre pelo aroma e pelas cores do café derramado. Ontem mesmo conversava com um amigo dileto (e também historiador) sobre os Annales, Fernand Braudel e suas relações com intelectuais brasileiros, tais como Sérgio Buarque e Gilberto Freyre; e eis que, hoje, buscando a fonte para aferir a veracidade de meus argumentos, deparei-me exatamente com aquelas marcas e aromas. O velho Braudel, que resistiu a tantas tormentas, desde as trincheiras da Segunda Guerra até o cativeiro nazista em Mogúncia; depois de sua morte receberia ainda mais uma afronta, a de ser banhado por um doppio, numa cafeteria de Manaus.


Nesses embates de cafeteria, em que por descuido o leitor estabanado acaba por maltratar a obra que lhe fez companhia, lhe ensinou e lhe deu prazer, a vingança estará sempre à espreita. Não sei ao certo se por força do desejo de todos os autores e autoras que já manchei de café ao longo de quase meio século de consumo frenético, ou se sou simplesmente vítima de meus vícios e desejos, o certo é que o tempo cobrou-me o preço do exagero e da irresponsabilidade. Dez xícaras de café ao dia (e talvez até mais!), trouxeram-me uma condição de extrema inflamação do trato digestivo, com a qual luto impaciente há mais de um ano, Embora fiel, agora reluto em tomar uma segunda dose do meu companheiro de ansiedade e de aflição criativa, para além do fraco coado de toda manhã, que tenho ainda que diluir em leite. Ninguém merece!
O leitor que por ventura chegou até aqui, enfim percebeu a lógica por trás de divagação tão sem sentido. Só os que relutam em esquecer um grande amor, ou que ainda não conseguiram superar a ausência de algo tão central em suas vidas, entenderão o porque gosto tanto de postar fotos em cafés, e também porque passei toda a tarde a rabiscar essas linhas.
Como na capa de seu livro, talvez Braudel esteja rindo neste momento!
